Artigos de Opinião

Nesta página poderá encontrar diversos artigos de opinião

José Luis Teixeira

Luis Dias ou a Magia da partilha.

A exposição da pintura de Luís Dias que se realizou num "mano a mano" com a escultura do artista que dá pelo nome de Pé Leve, no "Campus da Justitia" é, sem dúvida, uma das melhores impressões visuais que traduza grandeza do Homem e enaltece a própria vida.

Diante das cores que utiliza (com predominância do azul), no seu traço inquietante, Luís Dias coloca-nos uma pergunta: Será que o Homem deseja verdadeiramente um tempo novo ou que cada vez mais, a novidade seja o retorno aos prazeres originais?

Um amigo comum disse-me: "estamos perante um livro aberto". Nem respondi.

Eu sei que todos estamos exaustos da tecnologia consumível e que o Homem, o artista que domina a óptica visual, deseja regressar à poesia do mar, à grandeza do céu que nos cobre, aos reflexos das luzes por entre as copas frondosas de um castanheiro...

Nas composições das quais resulta um quadro, Luís Dias (de quando em quando) deixa escapar uma pincelada de verde – a apreciação da cor dos bosques espessos, do oxigénio...

A sua vivência de homem que sente a terra, que a trabalha e que encontra a fuga dos grandes espaços para a intimidade entre si e o cavalete, dá- lhe um lugar para quem o amor nunca termina, pois sai da Natureza (mar e terra) para o "atelier" com a paixão que só acontece quando se sente a segura celebração da verdade.

De acrescentar que a exposição foi inaugurada no dia 7 de Novembro passado e termina a 31 de Dezembro de 1012. Apresse-se. Não perca esta oportunidade.

Parabéns, Luís!
José Luís Teixeira

Adão Rodrigues

Fazer, desfazer e refazer:

O processo criativo de Luís Dias

Fazer e desfazer, fazer sobre o que sobra, Luís Dias faz surpreendentes imagens que nos dão de imediato a sensação de um feliz acaso.

Porém uma observação mais atenta dá-nos a certeza de estarmos na presença de formas bem estruturadas e revestidas de cor em que o artista/artífice conscientemente manipula até à exaustão os materiais com que constrói as texturas personalizadas.

Fogo/água é neste binómio que Luís Dias atinge a máxima expressão do seu processo criativo, abrindo as portas da sua interioridade, com a preocupação constante de um homem atento às grandezas e misérias deste final de século.

Lisboa, Dezembro de 2008
Adão Rodrigues

Vitória Pinheiro

A pintura de Luís Dias é uma pintura cheia de sensualismo e sensibilidade, onde a cor e a pincelada rápida e vigorosa é o elo que perdura na mensagem que transmite aos espectadores.

Em Ao sabor da maresia podemos contemplar o grau de maturidade que atingiu a sua arte, no domínio da composição plástica, no movimento fluido da pincelada, no jogo das transparências e na utilização das cores. Tudo é um sinal que mostra que continua na procura do infinito da arte, numa demanda constante em alcançar a perfeição.

É uma pintura que nos envolve e nos leva para outras paragens, que cativa e brinca com as palavras. Os corpos - a figura está sempre omnipresente -, véus e objectos estão envoltos num campo fértil e pleno de imaginação, fazendo uma viagem poética ao nosso eu, intimista e divino.

A utilização do azul, outrora dissimulado em pinceladas envergonhadas, ganha um especial estatuto e reforça essa imagética com que por vezes confundimos o artista/criador.

É a dicotomia de um artista – o real e o irreal; a verdade e o falso; o ser e o não ser – que experimentamos ao contactar com os trabalhos de Luís Dias. Todo o processo é alvo de uma intensa labuta para apresentar um discurso coerente e acessível.

Na verdade ao fruir os trabalhos deste artista sentimos toda a plenitude e quietude necessárias a um bom entendimento da arte.

Vitória Pinheiro
Janeiro 2008

Ernesto Neves

LUIS DIAS é sem dúvida alguma um nome que faz parte do Universo dos artistas plásticos portugueses.

Há mais de uma dezena anos, quando conheci o Luís, observei pela primeira vez as suas obras.
Os seus trabalhos pareciam inseguros, pouco transparentes, o que não encaixava bem com o seu autor. O Luís tinha garra e força interior que as suas obras não demostravam, mas a sua força de caminhar para fazer muito melhor estava latente.
Algumas conversas que tivemos assim indicavam que o caminho iria ser outro que não aquele. “Uma tela é quase sempre um espelho do artista”. No caso do Luís isso não estava a acontecer.

Passados estes anos a tal força de caminhar confirmou-se, o Luís amadureceu tecnicamente, transformando os carreiros em caminhos.
Desenvolveu a técnica dos materiais aplicando-os nos sítios certos,transformando a sua pintura em trabalhos seguros, cheios de vitalidade, equilíbrio e transparência, desenvolvendo uma técnica cheia de ritmo dando-lhes uma unidade em todo o seu conjunto não deixando de transmitir a mensagem onde a cumplicidade do artista com a tela está sempre presente.

Os seus trabalhos são de certa forma figurativos razando de perto o abstracionismo. O tempo dirá qual o caminho que este artista seguirá. Seja qual for o seu percurso, Portugal ficará a ganhar.

Obrigado Luís Dias,
Ernesto Neves

 

 

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